II Festival de Poesia da Cidade de São Paulo - Poemas inscritos

Futebolando idéias

TÍTULO DO POEMA: Futebolando idéias
AUTOR DO POEMA: Casulo
INTÉRPRETE: Casulo

 

 

 

 

Elástico, drible da vaca, carretilha, Chapéu, bicicleta, caneta...

A bola foi inspirada na geometria redonda do planeta!

No terrão ou na grama a galera do fim de semana tira anda!

São 11 contra 11 suando a camisa, tentando enquadrar à redonda!

Exceto os dois goleiros de prontidão a defender o poleiro,

De olho nos lances tentando contrariar os artilheiros,

O placar e os torcedores adversários, fazendo o que pode pra impedir negativos comentários...

O frango sabe que a marca do pênalti não tem pena dos goleiros frangueiros que deixa a bola escapar feito águas pelos dedos!

Já os rápidos como gatos, não dão falhas, fecham o gol, as pernas e a cara, fazendo pontes que viram muralhas!

Uma ideia contraditória veio na minha mente nesse exato instante:

Quem na verdade é o centroavante?

Seu eu estiver errado me salve! Mas pelo que eu saiba, é goleiro que age no centro da trave...

Futebol é arte e estar em toda parte, a meta é competir, ganhar ou perder faz parte...

Vencer é bom! Melhor ainda quando é uma revanche pra dar o troco!

Mas quem não sabe perder acaba empatando a vida dos outros...

Torcedor de verdade não pisa na bola!

Reconhece o mérito adversário trocando a violência pela paz!

Do jeito que faz o poeta bolero coletivista meu amigo Sergio Vaz!

E do meio da pagina do estádio cadernão o Sr. lápis aponta para o centro e apita o ponto final nessas truculentas palavras desse jogo da imaginação...

Mas resolvi dar por conta própria uns minutinhos de prorrogação!

Só pra mostrar que literatura e futebol têm forte ligação...

De agora pra frente montarei um timão, com 26 letras na escalação...     

E papel que é papel não tem medo de grampo!

Por que mesmo depois que finda o jogo, as palavras do poema continuam em campo, levando pra frente a nossa rica cultura onde poetas como eu, agora se jogam nas ruas, tentando vagas no veterano time da literatura...

Aprendi com Castro Alves que disse ao declamar sua dor: a praça é do poeta como o seu é do condor...

Jogo no time reticente do sarau da Cooperifa, onde se põem hífen entre leitores-e-artistas e juntos exclamam, interrogam e grifam...

Onde aprendi transformar a arte de declamar em frenesis, sem medo das limitações impostas por aspas e parênteses...           

Já li Camões, e fiz um soneto igualzim, mas nem assim intercederam por mim...

E isso que dificulta! Se pelo menos os filhos da puta abrisse mãos da norma culta!       

Aeee  Machado de Assis, o que você me diz? Que tal colocar Carlos Drumont  no banco um pouco e  abrir vagas pra outros!

Tem muita gente boa por ai! Deixe de picuinha!  

Quanto ao Manuel ele pode ficar, mas só como bandeirinha!

De agora pra frente eu vou resumindo porque essa gente letrada de mim ta sorrindo!

Mesmo conhecendo as palavras congeladas da gramática capa preta

Não se esqueça da literatura periférica que resistiu as traças do preconceito e se libertou das gavetas...

Mano! É muito treta entra pra esse time da academia brasileira de letra...

Fazer o que, né! Sonhar nunca é demais! Enquanto isso faço igual Sergio Vaz e outros mais! Vou jogando futebol de várzea com as palavras... 

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