II Festival de Poesia da Cidade de São Paulo - Poemas inscritos

De um sopro pro pó

TÍTULO DO POEMA: De um sopro pro pó
AUTOR DO POEMA: Lucas Zaparolli de Agustini 
INTÉRPRETE: Lucas Zaparolli de Agustini

 

 

 

 

 

Da séria miséria

resta esta

desolação da ação

de desconhecer o ser.

 

Na areia, Reia

enxerga a cega

chama, que a chama

a um restrito rito:

 

um frenesi que se

sacode, a ode de

mago magro a ago-

rafobia e o money, né?

 

Tem independente pendente,

alergia da alegria,

azul ao sul,

e um osso só.

 

Que bactéria teria

afronta contra

a órfã que mofa amorfa

no pântano de antanho?

 

Nada sutil é útil.

O que corrompe não rompe.

Nem sempre cabe quem abre.

Mas a brecha não fecha.

 

Só desencanto no canto

sem voz, a vós.

Capaz de paz?

Onde o som do om?

 

Afeto ao feto

que parte a arte

no osso do esboço

da porta da horta.

 

Salve a azia da afasia!

A isca da faísca!

O beijo do brejo!

O batom sem bom-tom!

 

Salve tudo que aludo,

incluindo a manhã de amanhã,

mas do universo só um verso:

breca-te, Hécate!

 

Não ultrapasse a paz, e

nem te atrevas às trevas:

só, caminha minha

sola ao sol.

 

Que apontem o ontem,

e o murmúrio do futuro

pareça essa

parede sem rede:

 

acode a ode,

salva a alma alva,

enquanto o canto

do hoje foge.

 

Deixo o eixo

ao âmago do relâmpago,

pra que se rache a acha

pra um fogo logo.

 

Depois, ois, pois

não há ninguém, nem

nada: a cada

dádiva vã, um divã.

 

Do mor amor

leva Eva

um mar amaro,

e tudo dói.

 

Na sequência a consequência

da lavra da palavra:

bronco ronco,

faltar altar e ar.

 

Então cantes antes

que a mágoa n’água

se dilua – a lua

muda muda.

 

O miasma, a asma

é desespero, espero.

Resta esta

vida ida.

 

Doravante, avante.

Após, pós.

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