II Festival de Poesia da Cidade de São Paulo - Poemas inscritos

Grito

TÍTULO DO POEMA: Grito
AUTOR DO POEMA: Aldamir Matheus de Almeida
INTÉRPRETE: Roberto Sades

 

 

 

 

A inexperiência, a imprudência, a incoerência... O desespero!

Tudo isso Fazia gritar!

A necessidade de ser ouvido, de ser querido, de existir...

Insistia em fazer gritar.

E no silêncio, morria a poesia e jorrava o verbo oco.

Dizia-se movimento, mas as palavras ensurdeciam

e ninguém mais ouvia de fato.

Crescia, mas não sabia amarrar o sapato.

No silêncio permanecia ela, a poesia,

sendo gritada pelos que menos abriam a boca.

No canto dos olhos das senhoras,

na gagueira dos novatos.

Ela que tanto fez pela quebrada

estava ali, largada, era exclamada ao vento,

mas para além do estardalhaço não reverberava profundo

não ecoava a revolução que conclamava pro mundo.

Mas servia de válvula de escape.

Assim como as igrejas,

os botecos e as brejas,

também faziam fieis fervorosos...

E a poesia continuou solitária,

ainda que rodeada de pessoas!

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