II Festival de Poesia da Cidade de São Paulo - Poemas inscritos

Como dar o último suspiro a nova Santíssima Trindade

TÍTULO DO POEMA: Como dar o último suspiro a nova Santíssima Trindade 
AUTOR DO POEMA: Kwame Yonatan
INTÉRPRETE: Kwame Yonatan

 

 

Pai, cale-se!

 

Pai, esconde de mim a miséria.

Amplia em mim a solidão, pai.

Amarga minha alma com ódio, pai.

Para a sua dor, não há remédio que estanque.

 

Vamos espremer o concreto dos prédios.

Enxugar as lágrimas e

Torcer até virar fumaça.

 

Engolir seco já virou rotina.

De tanto deserto,

Aqui faltam veredas.

 

È impossível saber qual o seu lado.

Se do seu lado eu só vejo sangue.

Quero transbordar seu esgoto urbano,

Ver e sentir escorrer o seu machucado.

 

Sua Ferida seca me angustia.

Sufocado, não respiro o tempo.

Num copo sujo e virulento,

Sinto pesar uma vida que passou a toa.

 

Mãe, é tanta verdade!

 

“Porque vocês correram?”

 

A farda. A jaula. O tribunal de rua.

 

A multidão: bandido, bom, morto(+).

 

Corta para o comercial

 

Espírito Santo, proteja-me!

 

Eu,

Mastigando as asas dos aviõezinhos,

Pouso com o rosto na pista quente.

Seguro firme na terra, não vou voar.

 

Eles,

Revólver apontado para a cara de pau

Fingindo que não faz parte do sistema.

Visto uma hipocrisia e choro como tiros.

 

Engatilha-se.

(Eu, sujeito oculto)

Olho para o asfalto.

(Eles, turbulências)

Balas perdidas tentando se encontrar.

 

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