II Festival de Poesia da Cidade de São Paulo - Poemas inscritos

Onde sua casa

TÍTULO DO POEMA: Onde sua casa
AUTOR DO POEMA: Akins Kintê
INTÉRPRETE: Akins Kintê

 

 

 

 

Diz linda mulher preta

onde quer sua casa

que eu vou meter brasa

mas longe da escopeta

Meu coração não engaveta

meu verso não atrasa

vou construir sua casa

meu sonho, minha meta

Divinéia é massa

um terreno em Ondina

Nordeste de Amaralina

mãos dadas lá na Graça

descendo o Curuzu

ou no Parque Regina

Pirajá ou Piraju

Noruska no Colina

Sempre se bate

ali no Abaeté

nas Praças da Sé

importante se vê

pode pá no Parque Ipê

é nós em Nazaré

cara a cara Carumbé

Jaguaré quero você

Diz linda mulher preta

em Jauá a laje?

respeito é nosso traje

sem precisar da letra

Meu coração corneta

viver essa viagem

dois cômodos na laje

eu sonho na direta

Que tal no Juscelino

o barraco na lapinha

no Vale das Pedrinhas

nas ruas do Ermelino

em Águas de Menino

lá na Barroquinha

si pá Piraporinha

São Matheus se quer o destino

Se arma em Armação

Penteado que cor pintas

Bogun, Federação

Calabar ou Quintas

Calabetão ser feliz

bom clima é Aclimação

barril mesmo é Barris

ou acampamos no Capão

Diz linda mulher preta

onde o biongo

vai ter reza e jongo

e não existe capeta

Meu coração já flerta

no seu riso me alongo

construo o biongo

e a tristeza não aperta

Uma kit no Glicério

no Alto do Peru

ali no Monte Azul

ou um ap. em São Savério

I.A.P.I ou Grajaú

Mascarenhas de Moraes

a casa em Ferraz

ou aí no Cabuçu

Já pensei em Coutos

pense bem Maracá

no Jaqueline os filhos soltos

ou Cidade Ademar

bonito é Pilar

lindos beijos envolto

nossos corpos revoltos

só suando no Sinhá

Diz linda mulher preta

onde sua morada

na noite estrelada

vou empunhar caneta

Meu coração acarreta

trabalho nas madrugadas

pra construir sua morada

com saúde de atleta

Uma frente em Águas Claras

ali no Elisa Maria

o lar no Jabaquara

ou em Cosme de Farias

No Garcia não anula

agracia no Canela

Casa Verde ou Cabula

ou no Jardim Capela

No Kintal essa casa

ou essa casa em Paripê

tenhamos sempre asa

mas o ninho em Itapagipe

Cê não conhece Pedreira

chapo igual Rio Vermelho

gosto do Valo Velho

como gosto Cajazeira

como moro no Silveira

ou no Jardim Lucélia

nem França nem Itália

nossa goma Engomadeira

Diz linda mulher preta

onde o bangalô

do ladinho do Pelô

e vidão nosso planeta

Meu coração não aquieta

vem afastar a dor

nós no mesmo bangalô

só você me completa

Freguesia do ó

pra morar Promorar ou Pinheirinho

o ninho no Tororó

Bom Juá ou no Alto do Coqueirinho

pra não ter revés

Barro Branco sem gandaia

pensei Pernambués

se quiser Saramandaia

Itapuã, Jaçanã

talvez Massaranduba

Sacomã ou Piatã

Itaquaquecetuba

Sussuarana, a Suburbana

ali no Cangaíba

lá pros lado de Santana

ou aí em Narandiba

O meu Inácio Monteiro

ou em Marechal Rondon

ou quem sabe Saboeiro

ou um ap. em Doron

Na Barra nós sem norma

ou em Peri-Peri

aqui Peri e o Pari

ou uma terra em Plataforma

Diz linda mulher preta

onde o apartamento

grande sem sofrimento

lá em Lauro de Freitas

Meu coração profeta

já não vê tormento

nesse nosso apartamento

esse sonho ninguém veta

Aí  no São Caetano

aí na Ribeira

aqui no Paulistano

aqui Cantareira

Aqui A. E Carvalho

aí Pituaçu

aí no Barbalho

aqui Vila Calú

Ali Pirituba

Mata Escura tá em punga

Sapé ou Pituba

se quiser Mussurunga

Na Uruguai é nós

COHAB 2, Paquetá

Dendezeiros ou Munhoz

eu nasci pra casar

Morar no Santo Antônio

em Brotas ou Santa Cruz

Largo do Tanque ou Teotônio

Rio Pequeno ou Perus

Cana Brava olho no olho

como no Morro da Pinga

como no Morro do Piolho

no Canta galo um Cinga

Não quero Disneylândia

só quitado o barraco

Quilombo Rio dos Macacos

é a minha Brasilândia

Eu gosto das quebradas

onde o sentimento aflora

nesses canto a gente mora

só se senti amada

Diz linda mulher preta

onde sua caxanga

onde o coração não zanga

e administramos a treta

Meu coração arquiteta

num jardim que não sangra

a mais linda caxanga

com minhas mãos de poeta

comments