II Festival de Poesia da Cidade de São Paulo - Poemas inscritos

Amor e tédio

TÍTULO DO POEMA: Amor e tédio 
AUTOR DO POEMA: Remisson Aniceto 
INTÉRPRETE: Remisson Aniceto 

 

 

 

Joguei fora os meus remédios:

os engodos para o amor,

as ciladas para o tédio,

pois para as dores do amor

e as agonias do tédio

não há remédio.

 

O amor bonito é pleno, é cheio,

não permite tédio ou dor,

se é metade fica feio,

se transforma em desamor.

 

Amar é arte perfeita,

sem artifício enganador,

sendo assim não se sujeita

aos placebos para o amor.

 

É raro o amor sem dor,

é raro o amor sem tédio.

 

Não sendo o meu raridade,

pois que é de intermédio,

de amor e tédio metade —

joguei fora os meus remédios.

 

Joguei fora os meus remédios,

meus ardis para o amor.

 

Também despachei o tédio

e mandei embora a dor —

e com ela o desamor.

 

O amor puro é sempre rico,

sem tristeza, tédio ou dor.

 

Sendo o meu pobre, abdico

deste em prol de outro amor.

 

Joguei fora os meus remédios,

meus enganos para o tédio,

meus sofismas para o amor.

 

E o coração renasce em flor.

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