II Festival de Poesia da Cidade de São Paulo - Poemas inscritos

Cão dos diabos

TÍTULO DO POEMA: Cão dos diabos
AUTOR DO POEMA: Reynaldo Bessa
INTÉRPRETE: Reynaldo Bessa

 

 

 

 

CÃO DOS DIABOS

 

O amor é um cão, uma megera

Uma dor de soslaio na janela

Um cisco no olho da razão

Um fosso, uma fenda, uma quimera

Uma onça vestida de gazela

O olho no “sim” o outro no “não”

Quando chega é sempre um alvoroço

É um tal de agora tudo posso

Até faz o sol escurecer

Mas quando se vai, desaparece

Não há praga, pranto, não há prece

que faça o bruto esmorecer

Malandro, mala, malaco

Se eu te pego eu te mato

Te parto, deixo vermelho

Cara, carinha se manda

Vai devagar, sai de banda

Vai se olhar no espelho

O amor é um salto no escuro

Um rasgo no olho do futuro

Um descrente pregando seu sermão

Um corte, um rombo, um furo, um talho

Uma flecha buscando um atalho

Pra chegar direto ao coração

Quando chega é um deus-nos-acuda

O diabo também oferta ajuda

Estrelas tilintam de alegria

Mas um dia se esvai é tiro certo e

atinge até quem não tá perto

com a faca cortante da agonia

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