II Festival de Poesia da Cidade de São Paulo - Poemas inscritos

Fria Prateleira

 

TÍTULO DO POEMA: Fria Prateleira
AUTOR DO POEMA: Fábio Lucciano de Oliveira
INTÉRPRETE: 
Fábio Lucciano de Oliveira

 

 

 

I
Fria prateleira,
E lá ficou a vida inteira,
Não houve empréstimo,
Não saiu a préstimo,
Ficou lá só a se exibir,
Só sabia existir...
 
II
Só não tinha poeira,
Porque a faxineira,
Atenciosa era,
Aliás, até rolava uma paquera,
Olhava-o com carinho,

Porém, o tempo era curtinho...

 

III
E dia passava dia,
Ficava ele lá na fria,
Prateleira do esquecimento,
E justo ele tão cheio de argumento,
Parece que nasceu esquecido,
Mas um dia foi querido...
 
IV
E a moça largou o espanador,
Pegou-o com carinho e lhe devotou amor,
E a primeira página folheou,
Do que leu muito gostou,
Chegou no balcão e disse: - Vou levar para mim!
E o leu inteiro, não querendo ter fim...
 
V
E aquele livro mudou aquela vida,
Que pelo Sistema era iludida,
Em impiedosa servidão,
Modernizada escravidão,
Que a deixava também esquecida,
De repente sentiu-se mais querida...
 
VI
E ficou faminta de leitura,
Logo descobriu ter talento para escritura,
E os livros lhe mostraram a verdade,
Num piscar de olhos, a porta da faculdade,
Se abriu pr'aquele ser,
Descobriu que podia vencer...
 
VII
E queria muito mais,
Era muito estudiosa e capaz,
E o tempo passou,
Com méritos se formou,
Em competente professora,
Descobriu que a vida é boa...
 
VIII
Hoje é importante palestrante,
Inúmeros livros na estante,
E aquele é o mais querido,
Mudou uma vida sem sentido,
Transformando derrota em vitória,
Escreveu sua linda história...
 
IX
E não conseguiu mais parar,
Sabia que sua missão era ensinar,
Rodou o mundo de avião,
Levava a sério sua missão,
E de uma autoestima baixa,
Levava à África, livros numa caixa...
 
X
Por isto foi reconhecida,
Por cada gesto, cada olhar, cada vida,
Que descobriam em cada obra,
Não terem nascidos para comer sobra,
E assim com todo carinho,
Foi mostrando o caminho...
 
XI
E escreveu um best seller mundial,
Tanto que aquele ser era genial,
O nomeou “O Espanador”,
Que foi recebido com louvor,
E contava a história de uma menina,
Que fazia faxina...
 
XII
E hoje faxina mentes da ignorância,
Sabe muito bem da importância,
De pessoas bem instruídas,
De modificação de vidas,
E aquele livro, com ela ia em cada palestra,
Sabe mais não é só o que resta...
 
XIII
Casou-se bem, criou linda família,
O livro não era mais uma ilha,
Mas era seu mundo,
Seu tudo,
Seu mar, seu ar,
Seu motivo pra viver e sonhar!

 

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